quarta-feira, 7 de julho de 2010

Agente é mesmo o que agente sonha ser?

A patagata e a gatapata


Nasceu na casa uma gata, nasceu no terreiro uma pata.
A gata da casa era gata por fora, mas adorava água, andava engraçado e sempre que queria algo grasnava "quá".
A pata do terreiro era pata por fora, mas gostava de peixe, andava pisando bem leve e vivia em cima do muro a miar.
Na casa, os outros gatinhos brincavam com o novelo e a gatapata sentava em cima para chocar.
No terreiro, enquanto os patinhos nadavam no lago a patagata saía correndo atrás de borboletas.
Todo mundo achava as duas estranhas, mas elas nem ligavam.
É que ao contrário do mundo todo que estava em torno delas, a gatapata e a patagata sabiam o que queriam ser e não se importavam em serem diferentes de todo mundo.
E quem sabe um dia, muitos anos depois, os outros gatos da casa e os outros bichos do terreiro conseguiriam descobrir que a gente não é o que a gente parece ou o que a gente deve ser.
No fundo, no fundo, a gente é o que a gente ama. A gente é mesmo o que a gente sonha ser.

Daqui ó!

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