sexta-feira, 30 de julho de 2010

Dos sonhos que agente tem

(o texto esta beeeem grande se vocês quiserem nem precisam ler)

Desde que eu me conheço por gente eu já mudei de casa 03 vezes. Até que a conta não é muito alta.

A primeira lembrança que eu tenho é de uma casa que morei quando eu era pequena, era uma dessas casas bem antigas, ficava num bairro de bacanas e todos os vizinhos eram de classe média alta. A casa era grande, o piso era de madeira e minha mãe tinha um enseradeira que eu adorava brincar. Do lado direito morava uma familia de japoneses que tinham um casal de filhos mais velhos que eu. Eles faziam o tipo de criança que são melhores que as outras e embora a rua fosse calma e tranquila, eles não podia sair na rua, só ficavam no portão. Como todo mundo sabe eu sempre fui bem moleca e vivia na rua andando de bicicleta pra lá e pra cá. Agente morava em uma ponta da rua e na outra ponta morava uma senhorinha que vendia gelinhos.
Nessa época minha mãe trabalhava no SESI, voce sabia que o SESI tinha supermercado? Pois é, tinha. Eu não sei dizer porque mas, agente era melhor de vida nessa época, minha mãe era gerente do mercado e ganhava bem. Mas, a casa no bairro dos bacanas não era nossa era do meu tio Arnaldo (aquele que mora em Araraquara e que é bem de vida) como a casa era dele um belo dia ele resolveu que queria vender a casa, porque nessa época ele já estava de mudança pra Araraquara e precisava da grana pra construir a casa dele. Aí que colocaram uma placa de vende-se e eu do alto dos meus 5 anos de idade não entendia muito bem porque é que agente tinha que sair de lá.

Na época que a casa foi vendida agente se mudou pro jardim alvorada, lá onde a Natalia mora. O apartamento é da minha tia Mara. Tão logo agente se mudou pra lá a Ana se casou e minha mãe foi mandada embora do SESI porque eles fecharam as lojas de mercado.
Eu gostava muito de morar lá, tinha muitas crianças e eu podia brincar o dia inteiro. Minha mãe arranjou outro emprego (nesta empresa de ônibus que ela trabalha até hoje) e como eu disse o apartamento era da minha tia mara e era a minha mãe quem pagava a prestação do apartamento que estava financiado e o condominio. O novo emprego da minha mãe não pagava tão bem quanto o anterior. Eu estudava do outro lado da cidade e precisava ir de perua escolar e os nossos gastos tinham subido muito então ela passou a trabalhar dobrado. Por exemplo: o horário dela era das 6 as 14 e ela trabalhava das 6 as 22h. Moramos lá uns 5 anos. Então, meu tio Nato construiu a casa dele e passou a casa que ele morava pra gente. Eu aprovei menos ainda a mudança mas, criança não tem voz e nem vez pra nada.
A casa tinha um quarto, uma cozinha e eu banheiro e ficava nos fundos da casa do meu tio. Eu estudei no SESI a vida inteira e maioria dos meus amigos moravam no parque das nações, que é um bairro bem legal em Santo André. Eu sempre morri de vergonha de morar lá. Sempre. Morava eu, minha mãe e minha avó. Eramos três até o belo dia em que a Ana se separou do marido e se mudou pra lá com o Matheus. Passamos a ser 5 em um único quarto.Dá pra visualisar a cena?
Construimos em cima e quando o sobrado ficou pronto a Ana reatou com o marido.

O resumo da opéra é o seguinte: eu nunca morei em uma casa que fosse minha e que agente pudesse entrar e sair quando bem entendesse. Aonde eu moro além do lugar que é pessimo e a vizinha que tem um bar e que começa o funk/samba/pagode a meia noite do sabado e só termina no outro dia as cinco da manhã. Tem a questão da minha vó que não se dá bem com a minha tia e vivem brigando. Tipo guerra sabe?
Tudo isso despertou em mim já há um bom tempo a vontade de ter uma casa pra chamar de minha, um lar doce lar. Talvez você não entenda o que eu quero dizer, talvez você sempre tenha tido uma 'home sweet home'.
Mas, eu não.

Um dos grandes sonhos da minha vida é casar. Isso todo mundo sabe.
Mas, antes de casar eu queria ter a minha casa. Pra ver a minha vó morrer sem ter que engolir tanto sapo. Pra ver a minha mãe ter pela primeira vez na vida alguma coisa que seja realmente dela. Pra não ter que chegar de madrugada e brigar com os maloqueiros pra tirar o carro de frente da garagem.

E daí que na ultima briga feia lá em casa ( leia-se dona Aurora e tia Reni) eu disse pra minha mãe que se ela  queria ir pagar aluguel pra morar em outra casa que fosse sozinha, porque eu não ia e fiz a proposta da gente juntar uma grana e comprar a nossa casinha.
Dá até dó, porque ela ganha 800,00 reais e tem que pagar a condução dela e faz a despesa de casa (que não é pequena porque minha vó come muito) e ainda ajuda minha irmã que esta no terceiro filho e que o marido não ajuda em nada.
E eu ganho melhor que ela mas, pago a faculdade e coloco gasolina no carro e quando eu vejo não tenho mais nada.
Eu tinha uma grana guardada pra comprar a casa, mas, quem tem sonho sabe que é assim. Parece que quanto mais agente se aproxima mais longe agente estamos.
Cada vez que eu fazia uma simulação de financiamento mais alto era o valor de entrada e mais decepcionada eu ficava e aí gastei a grana toda.

Não tem um só dia que eu não pense nisso. Que eu não sonhe com a tal casa. E que eu não queira do fundo do meu coração que isso aconteça.

Ontem eu estava dando uma olhada num livro e li uma frase que me chamou a atenção. Dizia que 'esperar é reconhecer-se imcopleto'

E é exatamente assim, ter um sonho ainda não realizado é estar incompleto.

Eu me reconheço como incompleta, mas, sem deixar de esperar.

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