(o texto esta beeeem grande se vocês quiserem nem precisam ler)
Desde que eu me conheço por gente eu já mudei de casa 03 vezes. Até que a conta não é muito alta.
A primeira lembrança que eu tenho é de uma casa que morei quando eu era pequena, era uma dessas casas bem antigas, ficava num bairro de bacanas e todos os vizinhos eram de classe média alta. A casa era grande, o piso era de madeira e minha mãe tinha um enseradeira que eu adorava brincar. Do lado direito morava uma familia de japoneses que tinham um casal de filhos mais velhos que eu. Eles faziam o tipo de criança que são melhores que as outras e embora a rua fosse calma e tranquila, eles não podia sair na rua, só ficavam no portão. Como todo mundo sabe eu sempre fui bem moleca e vivia na rua andando de bicicleta pra lá e pra cá. Agente morava em uma ponta da rua e na outra ponta morava uma senhorinha que vendia gelinhos.
Nessa época minha mãe trabalhava no SESI, voce sabia que o SESI tinha supermercado? Pois é, tinha. Eu não sei dizer porque mas, agente era melhor de vida nessa época, minha mãe era gerente do mercado e ganhava bem. Mas, a casa no bairro dos bacanas não era nossa era do meu tio Arnaldo (aquele que mora em Araraquara e que é bem de vida) como a casa era dele um belo dia ele resolveu que queria vender a casa, porque nessa época ele já estava de mudança pra Araraquara e precisava da grana pra construir a casa dele. Aí que colocaram uma placa de vende-se e eu do alto dos meus 5 anos de idade não entendia muito bem porque é que agente tinha que sair de lá.
Na época que a casa foi vendida agente se mudou pro jardim alvorada, lá onde a Natalia mora. O apartamento é da minha tia Mara. Tão logo agente se mudou pra lá a Ana se casou e minha mãe foi mandada embora do SESI porque eles fecharam as lojas de mercado.
Eu gostava muito de morar lá, tinha muitas crianças e eu podia brincar o dia inteiro. Minha mãe arranjou outro emprego (nesta empresa de ônibus que ela trabalha até hoje) e como eu disse o apartamento era da minha tia mara e era a minha mãe quem pagava a prestação do apartamento que estava financiado e o condominio. O novo emprego da minha mãe não pagava tão bem quanto o anterior. Eu estudava do outro lado da cidade e precisava ir de perua escolar e os nossos gastos tinham subido muito então ela passou a trabalhar dobrado. Por exemplo: o horário dela era das 6 as 14 e ela trabalhava das 6 as 22h. Moramos lá uns 5 anos. Então, meu tio Nato construiu a casa dele e passou a casa que ele morava pra gente. Eu aprovei menos ainda a mudança mas, criança não tem voz e nem vez pra nada.
A casa tinha um quarto, uma cozinha e eu banheiro e ficava nos fundos da casa do meu tio. Eu estudei no SESI a vida inteira e maioria dos meus amigos moravam no parque das nações, que é um bairro bem legal em Santo André. Eu sempre morri de vergonha de morar lá. Sempre. Morava eu, minha mãe e minha avó. Eramos três até o belo dia em que a Ana se separou do marido e se mudou pra lá com o Matheus. Passamos a ser 5 em um único quarto.Dá pra visualisar a cena?
Construimos em cima e quando o sobrado ficou pronto a Ana reatou com o marido.
O resumo da opéra é o seguinte: eu nunca morei em uma casa que fosse minha e que agente pudesse entrar e sair quando bem entendesse. Aonde eu moro além do lugar que é pessimo e a vizinha que tem um bar e que começa o funk/samba/pagode a meia noite do sabado e só termina no outro dia as cinco da manhã. Tem a questão da minha vó que não se dá bem com a minha tia e vivem brigando. Tipo guerra sabe?
Tudo isso despertou em mim já há um bom tempo a vontade de ter uma casa pra chamar de minha, um lar doce lar. Talvez você não entenda o que eu quero dizer, talvez você sempre tenha tido uma 'home sweet home'.
Mas, eu não.
Um dos grandes sonhos da minha vida é casar. Isso todo mundo sabe.
Mas, antes de casar eu queria ter a minha casa. Pra ver a minha vó morrer sem ter que engolir tanto sapo. Pra ver a minha mãe ter pela primeira vez na vida alguma coisa que seja realmente dela. Pra não ter que chegar de madrugada e brigar com os maloqueiros pra tirar o carro de frente da garagem.
E daí que na ultima briga feia lá em casa ( leia-se dona Aurora e tia Reni) eu disse pra minha mãe que se ela queria ir pagar aluguel pra morar em outra casa que fosse sozinha, porque eu não ia e fiz a proposta da gente juntar uma grana e comprar a nossa casinha.
Dá até dó, porque ela ganha 800,00 reais e tem que pagar a condução dela e faz a despesa de casa (que não é pequena porque minha vó come muito) e ainda ajuda minha irmã que esta no terceiro filho e que o marido não ajuda em nada.
E eu ganho melhor que ela mas, pago a faculdade e coloco gasolina no carro e quando eu vejo não tenho mais nada.
Eu tinha uma grana guardada pra comprar a casa, mas, quem tem sonho sabe que é assim. Parece que quanto mais agente se aproxima mais longe agente estamos.
Cada vez que eu fazia uma simulação de financiamento mais alto era o valor de entrada e mais decepcionada eu ficava e aí gastei a grana toda.
Não tem um só dia que eu não pense nisso. Que eu não sonhe com a tal casa. E que eu não queira do fundo do meu coração que isso aconteça.
Ontem eu estava dando uma olhada num livro e li uma frase que me chamou a atenção. Dizia que 'esperar é reconhecer-se imcopleto'
E é exatamente assim, ter um sonho ainda não realizado é estar incompleto.
Eu me reconheço como incompleta, mas, sem deixar de esperar.
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