quarta-feira, 21 de julho de 2010

Sem explicação.

Quando eu era criança e dormia na casa da minha tia agente sempre competia pra ver quem ia acordar mais cedo. O primeiro a acordar, ganhava uma mamadeira de leite e ia assistir desenhos no sofá enquanto mamava, normalmente os outros não demoravam em acordar. Um dia, me lembro como se fosse hoje, o Wellington acordou primeiro que todos nós, pegou sua mamadeira de leite e se deitou no sofá. Não me lembro em que ordem, mas, quando eu e o Ricardinho acordamos ele estava com uma cara de triste, perguntamos o que aconteceu e ele disse que os mamonas assissas tinham morrido, agente deu risada da cara dele e não acreditamos. Naquela época, as noticias não eram tão rápidas como são hoje e ficamos os tres de frente a televisão a manhã toda esperando alguma noticia que comprovasse a maluquice que ele dizia, quando a globo soltou aquela vinheta do plantão de noticias, agente já sabia que era verdade e caímos no choro como se os mamonas fosse alguém da familia.
Foi a primeira e a última vez que eu chorei por alguém famoso. Acho a maior besteira do mundo. Primeiro, porque um dia todo mundo morre mesmo. Segundo, por que não ninguém da  familia ou intímo. E terceiro, é que quando agente morre agente chora de saudades por não poder mais ver, ouvir, sentir aquela pessoa. È a saudade que mais dói.
Desde os mamonas já morreu Cássia Eller, Vera Verão, Vovó Mafalda, Dercy Gonçalves, Elloá (e olha que essa morava lá nas quebradas aonde eu moro) e tantos outros e cá entre nós, nenhum pingo de emoção. Nada. Mesmo.
Agora, eu me pergunto porque é que eu fiquei tão chateada com a morte do filho da Cissa Guimarães. Eu não tenho e nunca tive grande admiração pelo trabalho dela e nunca nem tinha ouvido falar que ela tinha um filho. Mas, desde que eu vi a noticia e a foto dele na internet a impressão que eu tenho é como se fosse alguém que eu conheço. Sei lá. Não dói. Nem dá vontade de chorar. È só um incomodo. Um nó na garganta. Sei lá.

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