quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Ah, a primavera...

Na segunda agente decidiu que ia andar de bicicleta no dia seguinte, terça. E assim foi.
Eu tentei desmarcar alegando que estava armando o maior temporal. Cheguei em casa e liguei pra minha irmã e aí ela respondeu assim: É, mais ainda não está chovendo...

Então, eu fui. E ainda bem que eu fui. Porque foi uma delicia.

Agente deu 3 voltas de bicicleta no parque, conversamos com um velhinho que contou as masélas da vida dele, não sem antes botar um sorriso no rosto e mostrar a menina timida com cara de princesa e que se chamava Priscila, que bem podia ser sua neta mas, era sua filha e enchia sua vida de alegria.

Com o horário de verão, o dia fica claro até quase oito horas da noite. E com as nuvens armando o maior temporal, a tarde estava fresca e batia um ventinho bom.

Eu me esforçava pra respirar corretamente, erguia a cabeça e o vento batia no meu cabelo e eu agradecia por ainda ter gente nessa vida que prefere ver o lado positivo. Por ter gente que não se intimida com o mal tempo, com a morte dos filhos, com a falta de dinheiro, com o cansaço e com tantas outras coisas.

Andando pela pista de bicicleta passamos por aquele outro lado do parque que agente nunca vai. Eu não sei dizer o porque, mas sempre ficamos a direita do lago. Pro Milk nadar e brincar com os outros cachorros. Nunca andamos o parque todo.

Pra mim, foi como conhecer um lugar novo. E foi lindo, porque algumas árvores estão carregadas de flores, e os passarinhos atravessam no meio da ciclovia, sem medo de ser feliz ou atropelados. Foi lindo porque no lado de lá, quando você menos espera aparece uma garsa na sua frente. Alta, branca e com aquele gingado todo malandro das garsas.

Ele é meio timido, não é de falar com quem não conhece e quando esta com vergonha ele faz um sorriso meio engraçado, meio bonito. Que dá vontade da gente agarrar e não soltar mais. E ontem, especialmente ontem, os olhos dele brilhavam muito e dava pra ver que ele estava bem feliz. E eu feliz por ve-lo tão feliz.

Então, na volta eu deixei que ele pilotasse a bicicleta que eu estava. Porque ele diz que na marcha leve é mais fácil e a dele não tem marcha. Mas, ele ainda é pequeno e a bicicleta é um pouco alta pra ele. E eu de longe só observando. E agora me diz: como é que as crianças conseguem resolver com tanta facilidade os 'problemas'? Oras, bolas se a bicicleta é alta e você é baixo, é só encostar a bicicleta, subir em cima do banco do parque e muntar em cima dela. Lógico. Como é que você não pensou nisso? Se fosse a gente reclamariamos que a bicicleta é alta demais, que é perigoso, que eles deveriam fabricar bicicletas menores com marcha e etc etc etc.

A mãe dele disse que era pra ele andar só na bicicleta pequena, mas, eu sou tia e tia tem essa mania de estragar os sobrinhos, de deixar quase tudo e contrariar a ordem da mãe. Então, que ande com a bicicleta grande e antes de chegar em casa a gente destroca, porque a tarde foi boa demais pra gente ficar obedecendo regras de uma tiranossaura-rex.

E o temporal? Ah sim, o temporal caiu mesmo. Só esperou eu chegar em casa e tomar meu banho.

Um comentário:

o profeta diário disse...

Quando eu era criança tinha uma bike com rodinhas...e o pai de uma amiga queria me ensinar a andar sem rodinhas, mas pra não mexer nas rodinhas da minha bike ele me ensinou na da minha amiga. Eis que a dela era uma de 18 marchas...rsrsrsrs

E era bem assim, eu bem pequena e ela muito grande. Parecia que eu estava andando de bike com pernas d pau. E pra subir e pra descer era a mesma coisa...tinhas que parar do lado de uma guia alta pra conseguir descer. Fora as vezes que eu quase cai descendo. Mas é a melhor sensação do mundo!