terça-feira, 1 de novembro de 2011

A barbie esta tentando ser normal


http://extra.globo.com/noticias/mundo/fabricante-divulga-foto-de-polemica-barbie-tatuada-2886900.html

Sinceramente eu não sei aonde esse mundo vai parar.
Da minha vó, da minha mãe e de pessoas da mesma faixa etária eu estou preparada para ouvir discursos inflamados contra tatuagens, contra negros, contra pircings, contra mulheres divorciadas, contra mãe solteiras e tantas outras coisas mais.

Eu não digo que aceito, mas, digo que entendo porque elas são de outra geração, viveram e foram educadas numa época em que tantas coisas eram proibidas e que a opininão dos outros valia demais.
Eu não concordo, não aceito, mas, eu entendo. É muito dificil mudar aquilo que demorou uma vida toda pra ser moldado. Envolve educação, valores, personalidade, caráter.

O que me deixa realmente preocupada é pessoas da nossa geração protestarem contra o lançamento de uma barbie com tatuagem, alegando que a pobre barbie - que só recentemente conseguiu se libertar daquele cabelo longo, loiro e daquele visual de patricinha do caramba - vai ensiná-las a querer fazer uma tatuagem e se vestir de modo inadequado antes da hora.

Eu nunca vi ninguém protestando porque a barbie era sempre magra demais, perfeita demais, loira demais, olhos verdes demais, maquiada demais, adulta demais. E que as crianças poderiam querer ser a barbie um dia.

Porra, para um minuto pra pensar e me diz quantas pessoas você conhece que tem tatuagem, seja ela grande ou pequena, discreta ou amostra e que são mal carater? Ou que tenha passagem pela policia? Ou que use drogas e tenha comportamentos fora do 'normal'? Eu não conheço nenhuma. Eu não acho que porque alguém tenha feito uma tatuagem ela se tornou um profissional menos preparado, menos competente que os demais. Tatuagem não muda caráter, tatuagem não muda competencia.

Num mundo em que há espaço para todo tipo de gente, todo tipo de estilo, todo tipo de filosofia agente tem mesmo é que ensinar as crianças a filtrarem o que é bom e o que não é bom pra elas, pra felicidade e pro bem estar delas. Sem achar que aquilo que não é bom pra elas é ruim ou errado. Demorou pros fabricantes de boneca começarem a ter modelos de bonecas gordinhas, com as pernas grossas, com a barriga cheia de pneusinhos.Passou da hora do cabelo cacheado também ser considerado bonito, normal e legal. Passou da hora dos estudios de animação lançarem super herois magricelos, bonecos em cadeira de rodas, sem braço e sem perna pra criançada aprender que no mundo tem espaço pra tudo. E que você pode ser o que bem entender desde que você seja feliz e entenda que há muitas outras formas de ser feliz e de estar bem. E tem espaço pra todo mundo.

Quando eu vejo essas coisas eu fico me perguntando se eu vou ter capacidade e força pra ter filhos e educá-los num mundo em que em pleno século 21 é contra tatuagem, é contra tudo aquilo que agride os padrões de beleza atuais.

Eu concordo que a criança ainda não tem capacidade de decidir aquilo que convém e não convém. Concordo que são as crianças que mais sofrem com a influência da midia e dos brinquedos. Concordo.
Mas, isso não serve como argumento. Porque é pra isso que crianças tem pais comprometidos com a sua educação, com a formação do seu carater e com o seu bem estar.

Na verdade o problema da criançada não é a barbie são os pais que estão cada dia menos comprometidos com a educação e a transmissão de valores. São os pais que cada dia mais delegam a árdua tarefa de educar para os colégios caros, para o Xbox, para as babás. O problema da criança são os pais que cada dia mais sabem dizer menos 'NÃOS' para seus filhos.

Eu me lembro que quando eu era criança houve uma época em que a moda era ter mechas loiras no cabelo. Eu fiquei doidinha-da-silva pra ter mechas loiras no cabelo. E enchi o saco da minha mãe pra ela me levar pra ter mechas loiras no cabelo. E a resposta da minha mãe foi simples: "Realmente filha, mechas loiras no cabelo são muito lindas, você pode pintar o seu cabelo da cor que você quiser, quantas mechas você quiser. Quando você for adulta. Criança não tem que ter mechas loiras no cabelo." E ponto final. Eu não morri por isso. Receber 'nãos' enquanto eu era criança me ensinou que o mundo não vai ser sempre do jeito que eu espero. E que a moda ainda vai mudar muito sem que eu precise estar o tempo todo me mudando.

Eu, não tenho filhos, mas, eu imagino que a saída não seja isola-los numa bolha cercados de tudo aquilo que agente acha certo e bom. Isso é preconceito. Isso é ensinar que só ele esta certo e é por isso que cada dia mais agente encontra gente mimada por aí.

Na minha cabeça a saída é cerca-los de tudo aquilo que existe e ensina-los o que São Paulo ensinou de maneira simples e objetiva: Tudo lhe é permitido mas, nem tudo lhe convém.

Dito isso sou obrigada a dizer que não concordo, não aceito e não entendo.

Nenhum comentário: