Acabei de chegar em casa com a impressão que hoje eu só tirei o dia pra me perder. Acordei mais tarde do que deveria. Olhei a minha listinha de lugares pra visitar em Toronto mais todos eram muito dificeis pra ir. O único mais acessível era um museu sei lá do que. Entrei no site do museu pra ver o preço e descobri que amanhã é de graça. Deixei pra amanhã.
Eu tenho 6 meses pela frente, não preciso necessáriamente correr para ver todos os pontos turisticos. Além do que, muito do que eu ver agora verei novamente com o pessoal da escola, então, paciência.
Ontem vi na biblioteca um anuncio sobre pessoas novas no Canadá. Peguei o nome, pesquisei na internet, decobri como chegava lá e fui. Chegando lá: decepção. O serviço é só para imigrantes, quem é turista como eu não pode.
Bati um papo em inglês com o mulher e por fim consegui uma carteirinha do lugar pra participar de um 'roda de conversação'. Não é lá grande coisa, mas, vai ajudar no meu inglês. Sair de casa tem sido bom pra ouvir inglês de verdade já que o inglês destes idianos é tão porco quanto o meu.
Isso já eram duas da tarde e eu estava verde de fome. Antes de sair de casa eles já tinha me avisado que o meu almoço seria macarrão. É uma macarrão de caixinha feito no microondas, sem gosto de nada e feio que só a peste.
Perto desse centro de imigrantes tinha um mc donalds e um subway, mas, eu estava mais perto do Mc e lá mesmo entrei. Entendi tudo que a moça disse fiz o meu pedido e sentei pra comer.
Nossa mãe, nunca comi com tanto gosto. Que fome. Eu não como direito desde que cheguei.
O mais engraçado do Mc donalds daqui é que tem muita gente idosa, mesmo. E muita gente dos olhos puxados...
Saindo de lá indo em direção a estação de metrô vi uma loja de celulares, atravessei e entrei. Conversei com rapaz, disse que queria um celular e um chip local. Rs, eu queria o Iphone, mas, lá não vendia desbloqueado, só na loja da Apple mesmo. Perguntei onde tinha uma e ele me explicou, eu teria que ir até a ligação entre a linha verde e a linha amarela. Descer e pegar o metro da linha amarela descendo duas estações.
Eu estou morando e estudando na linha verde, ainda não tinha pego a interligação. Eram duas e pouco da tarde e eu achei que valeria a pena arriscar, mesmo que eu não comprasse o celular já valeria o aprendizado, já que muitos lugares que eu vou visitar ficam na linha amarela.
Peguei o metro, fiz a interligação e desci na parada que ele disse. Era dentro de um shopping. Muito engraçado, porque antes de sair de casa eu tinha visto a opção de ir a esse shopping, ele tem um telhado de vidro muito bonito. E aí sem querer, eu estava ali, onde queria estar.
Andei pra lá e pra cá. Olhei as lojas. Na boa? Não achei nada de absurdamente lindo. Sem contar que o preço em dólar é bom, mas, quando você converte pra reais descobre que não é tão absurdamente diferente do Brasil.
Começou a ficar tarde e nada de eu encontrar a bendita loja da apple. Saí desse shopping pra rua e dou de cara com o hard rock café.
Fiquei um tempo parada na rua só observando, tinha muita gente, devia ser horário de saída da galera. Só pode.
Eu ando por aí com a cabeça vazia. Eu não conheço ninguém, não tenho nenhum compromisso para estar atrasada, não tenho celular pra ficar olhando ligação, sms ou o que quer que seja. Nada em mente. Ainda não comecei a pensar na vida. Eu estou aqui e é como se a ficha ainda não tivesse caído. Nada me preocupa. Absolutamente nada. Se eu me perder, em algum lugar eu tenho que chegar, algum telefone eu vou ter que usar, com alguém eu vou ter que falar. No final das contas, de algum jeito as coisas dão certo.
Comecei a sentir frio e resolvi voltar pra casa e ai começaram os problemas. Peguei o metro de volta pra Bloor/Yonge pra fazer a interligação e quem disse que eu achava onde é que fazia a interligação. Sai da estação entrei de novo e não achava. Subi e desci as unicas duas unicas plataformas que haviam ali umas três e vezes e continuava na linha amarela. Ai resolvi pedir informação, na hora de pedir informação eu sempre escolho uma pessoa com cara de imigrante, porque em algum momento ela também já passou por aquilo. Pedi ajuda pra moça e ela me levou até a plataforma certa. Eu nem vi como ela fez de tão cansada que eu estava. Peguei o metro cheio. Mas o cheio daqui é o vazio do Brasil.
A casa é a duas quadras da estação muito fácil, muito perto e mesmo assim eu me perdi. Nessa de ficar andando distraída pensando na morte da bezerra já tinha andado umas três quadras, então, toca voltar pra trás, toca pegar o mapa. A bolsa pesada, calor e frio. E finalmente cheguei em casa.
É hora do jantar mas eu não estou animada pra subir lá e degustar meu deliciosissimo macarrão de caixinha.
Um comentário:
kkkkkkkkkk meuuu, ler seus textos me encantam, e sim tudo vai dar certo, estou na torcida, isso simplesmente me encantou: "u não conheço ninguém, não tenho nenhum compromisso para estar atrasada, não tenho celular pra ficar olhando ligação, sms ou o que quer que seja. Nada em mente. Ainda não comecei a pensar na vida. Eu estou aqui e é como se a ficha ainda não tivesse caído. Nada me preocupa. Absolutamente nada. Se eu me perder, em algum lugar eu tenho que chegar, algum telefone eu vou ter que usar, com alguém eu vou ter que falar. No final das contas, de algum jeito as coisas dão certo."
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