Não tem como não reparar nas moças com boa parte do rosto coberta por um véu. Normalmente o véu é colorido e combina com as roupas que elas vestem. Normalmente elas pintam os olhos e estão sempre, não importa o quão calor esteja, de mangas cumpridas.
Um dia eu fui no mercado e vi uma moça com o rosto coberto. Provavelmente o país dela deve ser mais rígido, porque ela vestida uma roupa cumprida e toda preta e somente os olhos dela estavam a mostra. De longe eu pude só ter idéia do formato do corpo. Mas, dentro do mercado quando a gente cruzou e eu olhei pra única parte do corpo dela disponível pra contato com o mundo: os olhos. Eles eram bem pretos com o contorno feito no deliniador. E quando os nossos olhos se encontraram ela sorriu e eu sorri de volta. Não sei dizer se o sorriso dela era bonito ou não. Ou se ela tinha um rosto bonito ou não. Mas, eu sei que no momento que ela sorriu pra mim, pela forma que os olhos tomaram, pelo brilho, achei que sim. Achei que ela tinha um sorriso muito bonito. A sensação de ver alguém sorrir com os olhos é única e eu espero nunca esquecer.
Eu nunca tive nenhum preconceito, sempre achei que fosse uma questão de cultura e portanto, como toda cultura tem que ser respeitada e apreciada tal como é. Eu acho lindo a forma como as mulheres indianas se vestem. Acho lindo as cores, os bordados, as jóias. Acho lindo os significados. Eu gosto quando as coisas tem valor. Não são feitas só por serem feitas, só porque é um regra.
E era sim que eu via as mulheres arábes, até que eu fiz amigos arábes e comecei a ter mais contato com a cultura e a religião deles. E me interessei realmente pelo assunto e comecei a pesquisar a respeito. Eu queria saber mais sobre as diferenças. Numa dessas buscas na internet achei um artigo na Marie Claire e simplesmente devorei.
Elas não podem dirigir, elas não podem votar, elas não podem sair de casa sozinha sem a presença de um homem, elas não podem mostrar o rosto e as roupas em publico. E antes o que era bonito por ser um sinal de cultura agora se tornou sinal de opressão, de ausência de direitos, de ausência de respeito.
Quanto mais eu leio sobre o assunto, mais, doida da vida eu fico.
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